O Governo da Paraíba instituiu, por meio do Ato Governamental nº 3.505, a Comissão Estadual de Acompanhamento para Reparação dos Danos e Acolhimento das Vítimas do rompimento do reservatório de água da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), ocorrido na manhã do último sábado (8), no bairro da Prata, em Campina Grande. O colegiado será coordenado pelo vice-governador Lucas Ribeiro Novais de Araújo e contará com representantes de diversos órgãos estaduais.
De acordo com o ato assinado pelo governador João Azevêdo, a comissão será composta por membros da Secretaria de Estado da Infraestrutura e dos Recursos Hídricos (Seirh), Secretaria de Desenvolvimento Humano (Sedh), Procuradoria-Geral do Estado (PGE), Cagepa, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros Militar e Suplan (Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento da Paraíba).
O grupo será responsável por acompanhar as ações emergenciais, o acolhimento das vítimas e o levantamento dos danos causados pelo rompimento da estrutura.
“O coordenador da Comissão poderá convidar representantes de outros órgãos públicos e privados para participar das reuniões, sempre que seus conhecimentos ou competências forem necessários”, diz o decreto governamental.
MP abre investigação e cobra informações da Cagepa
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) instaurou a Notícia de Fato nº 003.2025.013034, com o objetivo de apurar as causas e responsabilidades pelo rompimento do reservatório, que acumulava aproximadamente dois milhões de litros de água. O procedimento foi instaurado pela promotora de Justiça Cláudia de Souza Cavalcanti Bezerra, plantonista no dia do ocorrido.
No documento, o MP determina que a Cagepa apresente, em 48 horas, informações sobre eventuais vistorias técnicas realizadas previamente, além das medidas adotadas após o acidente e do planejamento para reparação dos danos.
Também foram oficiados o 2º Batalhão de Bombeiros Militar, a 2ª Superintendência Regional de Polícia Civil e o Instituto de Polícia Científica (IPC), que deverão enviar relatórios e laudos periciais no prazo de até cinco dias.
“O Ministério Público da Paraíba será atuante e vigilante até que as responsabilidades sejam integralmente apuradas e os danos reparados, garantindo a proteção dos interesses da população de Campina Grande”, afirmou a promotora Cláudia Bezerra.
Tragédia e consequências
O rompimento do reservatório da Cagepa provocou alagamentos em diversas ruas, carros arrastados, três casas destruídas e outras três danificadas.
A idosa Maria do Socorro Leal Teixeira de Araújo, de 62 anos, morreu após ser atingida pela força da água enquanto estava em casa, acamada por causa da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa. Outras duas pessoas ficaram feridas.
Parentes relataram que Maria do Socorro vivia sob cuidados da família e não teve tempo de ser retirada da residência.
“Ela estava acamada, e quando vimos a água descendo, não deu tempo de fazer nada”, contou a prima da vítima, Dionísia Pereira, à TV Paraíba.
Reservatório passava por manutenção, diz Governo
Durante coletiva de imprensa, o governador João Azevêdo declarou que o reservatório da Cagepa passava por manutenção constante e não apresentava sinais de risco antes do acidente.
A Cagepa, por sua vez, afirmou em nota que lamenta profundamente o ocorrido, expressou solidariedade às vítimas e garantiu a abertura de um processo interno de apuração para identificar as causas do rompimento.
“As circunstâncias estão sendo apuradas. Assim que o rompimento foi identificado, equipes técnicas e de assistência foram mobilizadas imediatamente, em parceria com a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, para garantir a segurança das famílias afetadas e iniciar as medidas emergenciais”, informou a empresa.
O acidente interrompeu o abastecimento de água em cerca de 40 bairros de Campina Grande e afetou também os municípios de Lagoa Seca, São Sebastião de Lagoa de Roça, Areial e Montadas.
Próximos passos
Com a criação da comissão estadual, o governo pretende integrar esforços técnicos e sociais para garantir apoio às famílias, reconstrução das moradias atingidas e reparação dos prejuízos materiais.
A expectativa é que, nos próximos dias, sejam apresentados relatórios preliminares sobre as causas do rompimento e planos de compensação às vítimas.