As primeiras denúncias contra o influenciador paraibano Hytalo Santos partiram de vizinhos do condomínio onde ele morava, em Bayeux, revelou a promotora de Justiça Ana Maria França. Segundo ela, moradores relataram ao Ministério Público da Paraíba (MPPB) que no apartamento do influenciador havia festas com som alto, algazarra e consumo de bebidas alcoólicas, tudo com a presença de menores de idade.
De acordo com a promotora, as reclamações indicavam ainda que Hytalo produzia conteúdos com crianças e adolescentes, muitos deles com conotação sensual, gravados até altas horas da noite. “Começamos a coletar provas, dados, documentos, porque o Ministério Público só age dentro dos ditames legais. Agora, a primeira fase do procedimento está concluída, com essa ação civil pública”, afirmou Ana Maria França.
O caso, inicialmente investigado pela promotoria de Bayeux, também passou a ser apurado pela Promotoria de João Pessoa. Os promotores João Arlindo Corrêa Neto e Ivete Leônia Soares de Oliveira Arruda estão colhendo depoimentos, inclusive de pais dos adolescentes, para apurar possível omissão no dever de proteger os direitos dos menores.
Paralelamente, um inquérito policial foi requisitado para investigar as condutas na esfera criminal. Após a conclusão, o MPPB avaliará se há elementos para uma denúncia formal.
Confira na integra a entrevista da Promotora de Justiça Ana Maria França sobreo caso.
Decisão liminar e medidas restritivas
Nesta segunda-feira (11), o MPPB obteve decisão liminar na Justiça paraibana determinando a suspensão de todos os perfis de Hytalo Santos nas redes sociais, o bloqueio da monetização e o afastamento imediato dos adolescentes que vivem com ele. O influenciador também está proibido de manter qualquer contato com menores de idade. A defesa ainda pode recorrer.
A Ação Civil Pública motivou ainda uma recomendação administrativa conjunta entre o MPPB, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o Ministério Público do Trabalho e a Polícia Civil, direcionada à Loteria do Estado da Paraíba (Lotep).
O documento solicita, no prazo de 48 horas, a suspensão da autorização concedida à empresa “Fartura Premiações”, divulgada pelo canal do influenciador, até que a ação seja concluída ou que as condutas irregulares cessem. Caso a recomendação não seja cumprida, os órgãos envolvidos alertam para possíveis medidas judiciais e criminais.