O penúltimo dia do Agosto Lilás, campanha dedicada à conscientização e combate à violência contra a mulher, não trouxe o alívio que deveria simbolizar. Pelo contrário: o sábado (30) foi marcado por uma sequência de episódios brutais na região de Cajazeiras, que escancararam, mais uma vez, a distância entre o discurso de proteção e a dura realidade enfrentada por mulheres sertanejas.
Santa Helena: mãe e filha de 2 anos agredidas dentro de casa
Pela manhã, em Santa Helena, uma mulher e sua filha de apenas 2 anos foram agredidas pelo próprio irmão da vítima.
Segundo a Polícia Militar, a mãe procurou ajuda em frente ao destacamento local relatando as agressões. Ela apresentava hematomas no rosto e contou que a filha foi atingida durante a violência, sofrendo um corte nos lábios.
Na casa do acusado, localizada no sítio Cambito, os policiais apreenderam uma faca peixeira usada para ameaçar as vítimas. O agressor foi preso e levado à Delegacia de Cajazeiras. O caso foi registrado como lesão corporal e violência doméstica, com base na Lei Maria da Penha.
Bonito de Santa Fé: descumprimento de medida protetiva
Durante a tarde, em Bonito de Santa Fé, uma jovem de 21 anos acionou a polícia após o ex-companheiro, de 26 anos, ameaçá-la de morte em frente à sua residência. O acusado, que já havia sido preso anteriormente pelo mesmo tipo de conduta, descumpriu uma medida protetiva de urgência e enviava mensagens de áudio intimidando a vítima.
Abordado pela polícia em visível estado de embriaguez, ele foi conduzido junto à vítima para a Delegacia de Cajazeiras, onde as medidas cabíveis foram adotadas.
Cajazeiras: mulher e filhos sofrem agressões no Residencial Cajazeiras II
Já à noite, no Residencial Cajazeiras II, Zona Norte da cidade, uma mulher de 24 anos e seus dois filhos foram vítimas de violência doméstica. O companheiro da vítima, de 28 anos, chegou em casa embriagado e iniciou agressões verbais e físicas.
As agressões só cessaram quando o irmão do acusado interveio. A vítima apresentava lesões pelo corpo e foi conduzida à Delegacia de Polícia Civil para formalizar a denúncia. O acusado não foi localizado no momento, mas será investigado no inquérito instaurado.
Esses três casos, ocorridos em menos de 24 horas, não são fatos isolados: são sintomas de um problema estrutural. Denunciam a fragilidade das políticas públicas, a demora na responsabilização dos agressores e o sentimento de medo que insiste em aprisionar mulheres dentro de suas próprias casas.
O Agosto Lilás, com suas campanhas e discursos, precisa ir além da conscientização simbólica. Não basta pintar prédios de roxo ou realizar palestras se, no dia a dia, mulheres continuam sangrando, crianças continuam sendo expostas ao terror e famílias continuam sendo destruídas pela violência doméstica.
Canais de denúncia:
- 180 – Central de Atendimento à Mulher
- 190 – Polícia Militar
- 197 – Polícia Civil
- 153 – Ronda Maria da Penha