Neste domingo (21), milhares de manifestantes ocuparam ruas e praças em pelo menos sete capitais brasileiras para protestar contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem e o projeto que concede anistia a pessoas condenadas pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
O maior ato ocorreu em São Paulo, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. Convocado por movimentos de esquerda nas redes sociais, o protesto começou por volta das 14h e reuniu uma multidão com cartazes, faixas e palavras de ordem contra o perdão a golpistas e a tentativa de blindagem de parlamentares. Uma bandeira gigante do Brasil foi estendida, em contraponto ao ato do 7 de Setembro, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) abriram uma bandeira dos Estados Unidos no mesmo local.
Além da capital paulista, também houve manifestações em Salvador, Brasília, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre e Belo Horizonte. Em todas elas, os manifestantes se posicionaram contra a chamada “PEC da Bandidagem” e rejeitaram qualquer iniciativa de anistiar envolvidos nos atos que atacaram a democracia brasileira.
Em Brasília, o cantor e compositor Chico César participou do ato “Sem Anistia”, realizado em frente ao Congresso Nacional. O artista reforçou o coro contra o projeto de perdão, que, segundo os organizadores, “beneficia golpistas, inclusive e principalmente o chefe da gangue, Bolsonaro”.
No Rio de Janeiro, a orla de Copacabana foi tomada por faixas com os dizeres “Sem Anistia” e “Contra a PEC da Blindagem”. Em Salvador, manifestantes destacaram a defesa da democracia e o compromisso de manter mobilização permanente contra retrocessos institucionais.
As críticas também se estenderam ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), responsável por pautar projetos de interesse do centrão e articulador da PEC da Blindagem.
Com gritos de “Sem anistia!” e “Democracia sim, impunidade não!”, os atos deste domingo demonstraram que, quase três anos após a tentativa de golpe, parte expressiva da sociedade segue vigilante contra iniciativas que possam enfraquecer a responsabilização dos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro.
Uma resposta
Tinha muita gente na Paulista, nunca vie tanta gente