O depoimento do presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS terminou em prisão em flagrante, na madrugada desta terça-feira (30), no Senado Federal. A decisão foi tomada pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que acusou o depoente de falso testemunho.
Durante a oitiva, Carlos Roberto confirmou que o ex-candidato a prefeito de Marizópolis (PB), Jerônimo Arlindo da Silva Júnior, conhecido como Júnior do Peixe, atuou como diretor de assuntos institucionais da Conafer, com remuneração de R$ 40 mil mensais. O dirigente também reconheceu a existência de um repasse de R$ 900 mil, em novembro de 2020, para uma associação cuja ligação com o paraibano não foi esclarecida.
Apesar das insistentes perguntas de parlamentares, o presidente da Conafer fez questão de afirmar que Júnior não cometeu irregularidades. Segundo ele, o paraibano foi contratado pelo currículo e experiência na área pesqueira. Filho do presidente da Federação da Pesca da Paraíba, Júnior já havia ocupado cargos em Brasília e no Estado. “É um jovem promissor”, destacou.
A atuação do ex-candidato em processos de regularização documental junto ao INSS e na modernização de sistemas internos da entidade também foi mencionada, embora sem detalhamento de resultados. Atualmente, Júnior do Peixe ocupa o cargo de assessor técnico de projetos da Secretaria de Agropecuária e Pesca da Paraíba, nomeado em agosto de 2025 por indicação do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB).
A prisão de Carlos Roberto ocorreu após o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), apontar contradições e omissões em suas declarações. “Quem rouba aposentado rouba do nosso país, dos brasileiros. E aqui quem mente paga o preço. Peço à Polícia Legislativa que cumpra a determinação”, disse o senador Carlos Viana ao decretar a medida.
A CPMI do INSS investiga denúncias de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, além de supostas irregularidades em convênios e repasses envolvendo entidades de representação. O depoimento de Carlos Roberto será anexado ao conjunto de oitivas que devem embasar o relatório final da comissão.