O secretário de Saúde da Paraíba, Ari Reis, transformou o vocabulário médico em discurso político ao defender, nesta segunda-feira (27), o que chamou de “voto puro sangue” dentro da base aliada do governador João Azevêdo (PSB). A declaração, feita durante entrevista ao programa Hora H, da TV Norte Paraíba, foi mais que uma metáfora de coerência — soou como um alerta contra a mistura de alianças e as indefinições que costumam marcar períodos pré-eleitorais.
Segundo ele, “é muito arriscado hemotransfundir componentes diferentes, o risco de reações adversas é muito alto”. Na prática, o recado é claro: quem apoia João deve apoiar Lucas Ribeiro, sucessor natural e escolha do grupo governista. “Quem é João é Lucas”, resumiu o secretário, em uma síntese que tenta neutralizar ruídos e pressões internas por espaços.
Ari Reis usou o tom da medicina para diagnosticar também a oposição, chamando seus adversários de “experiências negativas” e de “representantes do atraso”. Ao defender a continuidade do atual projeto administrativo, ele buscou reforçar a imagem de um governo estável, de contas em dia e investimentos contínuos na saúde e na segurança — contrastando com o passado de “salários atrasados” e “falta de combustível”, que ele associou a gestões anteriores.
Mas o discurso do “puro sangue” não deixa de ser, ele mesmo, uma transfusão política: carrega o DNA de fidelidade incondicional ao governo e tenta conter hemorragias de insatisfação dentro da base. Em tempos de rearranjos partidários e reposicionamentos estratégicos, a fala de Ari Reis é tanto um diagnóstico quanto uma receita — e, como todo medicamento forte, pode causar seus próprios efeitos colaterais.