O secretário de Cidadania e Direitos Humanos de João Pessoa, Diego Tavares (PP), anunciou na noite desta segunda-feira (5) que está deixando o cargo que ocupa na gestão do prefeito Cícero Lucena (MDB). A declaração foi feita durante entrevista ao programa Hora H, da TV Norte Paraíba. Pré-candidato a deputado estadual, Tavares afirmou que a decisão tem como objetivo se dedicar integralmente às articulações políticas e à definição partidária para as eleições de 2026.
Segundo Diego, a conversa com o prefeito ocorreu ainda no fim de dezembro. “Eu disse ao prefeito Cícero que estaria deixando a secretaria agora em janeiro, para não afetar o planejamento e ter mais tempo para me dedicar às articulações. Não vou conseguir conciliar o cargo com a minha pré-candidatura”, afirmou, oficializando a saída durante o programa.
Suplente da senadora Daniella Ribeiro (PP), Diego Tavares explicou que, além da pré-campanha, a desincompatibilização também lhe dará liberdade para avaliar com cautela o partido pelo qual irá disputar uma vaga na Assembleia Legislativa da Paraíba. Ele lembrou a experiência de vinte anos atrás, quando teve votação expressiva para deputado estadual, mas não conseguiu se eleger por conta da escolha partidária. “Não posso cometer o erro de vinte anos atrás e frustrar todas as lideranças que estão no nosso projeto”, disse.
Durante a entrevista, Diego revelou ter recebido convites de ao menos seis partidos, entre eles MDB, Republicanos, PV e Solidariedade. Ele deixou claro que a definição da legenda será decisiva não apenas para sua candidatura, mas também para o posicionamento na disputa pelo Governo do Estado.
Questionado sobre a quem apoiará em 2026 — o prefeito Cícero Lucena, pré-candidato ao Governo, ou o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) —, Diego evitou se comprometer. “Eu preciso ver a nominata, não vou dar cheque em branco. Tenho responsabilidade com o meu grupo político. Vou tomar minha decisão baseado num projeto, que é me eleger deputado estadual”, cravou.
Diego também reconheceu que sua decisão de deixar a gestão pode gerar especulações políticas, sobretudo diante do rompimento entre Cícero Lucena e o grupo Ribeiro. “Tenho amizade com Cícero e com os Ribeiro, e sempre servi a eles. Será que agora minha decisão eles vão ficar com raiva? Só serve quando eu servi a eles?”, questionou.
Sobre o rompimento entre o prefeito e o clã Ribeiro, o agora ex-secretário avaliou que foi um dos mais prejudicados politicamente. “O maior prejudicado desse rompimento fui eu, porque tenho amizade tanto com a família Ribeiro quanto com a família Lucena”, afirmou.
Ao final, Diego demonstrou compreensão em relação às duas possíveis candidaturas ao Governo do Estado. “Entendo o lado do prefeito Cícero, que é experiente, está bem avaliado, faz uma boa gestão e quer disputar. E, ao mesmo tempo, entendo a situação de Lucas, que assumirá o governo e, se não disputar, mais nunca ninguém vai acreditar nele para qualquer candidatura”, concluiu.