A recente denúncia feita pelo médico e empresário Dalton Gadelha expôs uma situação estarrecedora e inaceitável: a Prefeitura de Campina Grande acumula uma dívida de R$ 33 milhões com o Hospital HELP, o maior da Paraíba, por serviços prestados e não pagos. O desabafo do médico, em entrevista nesta terça-feira(19) ao Programa Balanço Geral da Rádio Correio FM de Campina Grande, escancara o desprezo da gestão municipal com a saúde pública e com os compromissos assumidos.
O mais alarmante não é apenas o valor devido, mas a postura da administração de Bruno Cunha Lima diante da cobrança. Segundo Gadelha, a prefeitura não apenas deixou de quitar a dívida como também se recusa a dialogar. O médico tentou de todas as formas resolver a questão administrativamente, mas foi ignorado. O resultado? A necessidade de acionar a Justiça para receber o que é de direito do hospital.
A indiferença do governo municipal é um retrato cruel da política que se pratica em muitos lugares do Brasil. O Hospital HELP atende milhares de pacientes, especialmente aqueles que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). Quando um hospital desse porte é negligenciado, não é apenas uma empresa que sofre, mas toda a população que precisa de atendimento médico.
O mais curioso é que o próprio Dalton Gadelha declarou ter votado no prefeito Bruno Cunha Lima nas eleições de 2024, na esperança de uma gestão comprometida com a saúde. No entanto, viu-se forçado a recorrer à Justiça para receber um recurso essencial para a manutenção dos serviços. A promessa de uma administração eficiente e humanizada foi quebrada pela realidade de atrasos, desrespeito e falta de transparência.
Além da dívida milionária, o que a Prefeitura de Campina Grande deve ao HELP é consideração. A população merece uma resposta clara: por que essa situação chegou a esse ponto? O que está sendo feito para resolver o problema? E, principalmente, quando a prefeitura pretende pagar pelo que já foi prestado?
Não se trata de uma simples questão financeira, mas de um compromisso com vidas humanas. A judicialização dessa cobrança é a prova do fracasso de um governo que, ao ignorar seus credores, ignora também o direito básico da população à saúde. O prefeito Bruno Cunha Lima deve não apenas dinheiro ao HELP, mas satisfação à cidade que governa. E essa dívida, a moral e ética, talvez seja ainda mais difícil de quitar.