A morte dos irmãos José Davi, de 15 anos, e Isabella Pereira, de 7 anos, atropelados por um caminhão de coleta de lixo em Sousa, no Sertão da Paraíba, ganhou contornos ainda mais polêmicos após denúncias da família. A tia das crianças afirma que o motorista estaria embriagado, fugiu sem prestar socorro e que a cena do acidente pode ter sido alterada antes da perícia. O caso reacende a dor de uma tragédia semelhante vivida pela mesma família há duas décadas — até hoje sem resposta da Justiça.
A tragédia que vitimou dois irmãos na última segunda-feira (20), em Sousa, no Sertão paraibano, gerou forte comoção e levantou questionamentos que vão além do acidente em si. Durante participação nesta quinta-feira(23) no programa Cidade Noticia da Lider FM, Maria do Socorro Linhares, tia das vítimas, fez um desabafo contundente e levantou suspeitas graves sobre a conduta do motorista envolvido.
Segundo ela, informações repassadas à família indicam que o condutor do caminhão de coleta de lixo estaria sob efeito de álcool no momento do atropelamento. A acusação, ainda não confirmada oficialmente, aumenta a pressão por respostas rápidas e rigor nas investigações.
De acordo com a Polícia Civil, o caminhão realizava uma conversão à direita quando atingiu a bicicleta onde estavam as crianças. Com o impacto, os dois foram atropelados pelo pneu traseiro e morreram ainda no local. O motorista deixou a cena logo após o ocorrido, alegando medo de represálias.
Para a família, no entanto, a fuga levanta suspeitas. “Ele não prestou socorro, saiu do local e ainda mexeram na cena do acidente”, afirmou Maria do Socorro, que também denunciou a retirada da bicicleta antes da chegada da perícia.
No dia do ocorrido, o delegado responsável pelo caso informou que o advogado do motorista ficou de apresentar o motoristas para prestar esclarecimentos. O caminhão já passou por perícia, e as investigações seguem em andamento.
Histórico de dor e revolta
O caso atual revive um trauma antigo na família. Maria do Socorro relembrou a morte do próprio filho, Rafael Linhares, atropelado há cerca de 20 anos na avenida Sinfônio Nazaré, no centro da cidade. Segundo ela, o processo judicial nunca teve desfecho.
“Até hoje não tivemos resposta. A justiça nunca resolveu. Agora estamos vivendo tudo de novo”, desabafou.
A repetição da tragédia expõe, segundo a família, um cenário de impunidade e negligência no trânsito local. “Será que isso vai continuar acontecendo e nada muda?”, questionou.
Posicionamentos oficiais
A Prefeitura de Sousa divulgou nota lamentando profundamente o ocorrido e informou que está prestando assistência às famílias, além de acompanhar as investigações.
Já a empresa responsável pelo caminhão, AP Construções, afirmou que não há indícios de intenção por parte do motorista e que está colaborando com as autoridades para esclarecer os fatos.
Cobrança por justiça
Enquanto a investigação segue, o sentimento entre familiares é de revolta e cobrança por respostas concretas. A principal exigência é que o caso não tenha o mesmo destino do ocorrido há 20 anos.
“Eu clamo por justiça. Não só pelos meus sobrinhos, mas também pelo meu filho. Não podemos aceitar mais vidas perdida sem punição”, concluiu Maria do Socorro.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil