Acusados de homicídio e investigado por ataque contra malote do Sousa EC serão julgados pelo Tribunal do Júri em Sousa

“Escobar” e “Leléo” respondem pela morte do jovem Victor Rodrigues Fernandes; Ministério Público afirma que crime foi motivado por disputa entre grupos ligados ao tráfico de drogas em Sousa

Momento da Prisão de Escobar. Fonte Policia Civil da Paraíba

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 O Tribunal do Júri da Comarca de Sousa realiza nesta terça-feira (19), a partir das 8h, o julgamento de Pablo Eric Aquino da Silva, conhecido como “Escobar”, e Lucinelde Pereira do Nascimento, o “Leléo”, acusados do assassinato do jovem Victor Rodrigues Fernandes, o “Vitim”, de 21 anos. Segundo o Ministério Público da Paraíba (MPPB), o crime foi praticado mediante emboscada e teria sido motivado por disputas relacionadas ao tráfico de drogas na região. “Escobar”, que está preso, também é investigado pela polícia por suspeita de ter planejado a tentativa de roubo dos malotes de dinheiro destinados ao pagamento de funcionários e jogadores do Sousa Esporte Clube.

Victor Rodrigues Fernandes, o “Vitim. Fonte Diário do Sertão

A sessão do júri popular acontece no âmbito da Ação Penal nº 0803560-37.2024.815.0371. Os dois réus permanecem presos preventivamente e serão defendidos pelo advogado Abdon Salomão Lopes Furtado.

Conforme a denúncia apresentada pelo MPPB, o homicídio ocorreu no dia 28 de abril de 2024, por volta das 12h, no bairro Jardim Santana, em Sousa.

Segundo os autos (Click Aqui!), Pablo Eric Aquino da Silva, Lucinelde Pereira do Nascimento e José Vilton Gomes de Lima, conhecido como “Viltinho”, assassinado posteriormente em julho de 2024, teriam atuado em conjunto para executar Victor Rodrigues Fernandes.

O Ministério Público afirma que a vítima foi atraída para uma área isolada da cidade por “Viltinho”, que simulava manter amizade com Victor. Enquanto isso, “Escobar” e “Leléo” teriam permanecido escondidos aguardando o momento do ataque.

Victor foi surpreendido por disparos de arma de fogo e atingido oito vezes, sendo a maioria dos tiros pelas costas, circunstância que, segundo a acusação, dificultou qualquer possibilidade de defesa da vítima.

Investigação teve avanço após morte de “Viltinho”

As investigações foram conduzidas pelo Grupo Tático Especial (GTE) da Polícia Civil e apontaram que o homicídio estaria relacionado à disputa entre grupos ligados ao tráfico de drogas em Sousa.

De acordo com a denúncia, Victor mantinha aproximação com integrantes de um grupo rival identificado como ISMAEL SOARES DOS SANTOS, conhecido como “Aroldo”, e FRANCISCO NATANAEL SOARES DOS SANTOS, o “Mãozinha”, fator que teria motivado sua execução.

As investigações ganharam novos elementos após o assassinato de José Vilton Gomes de Lima, o “Viltinho”, executado com 11 tiros em frente à residência onde morava, no dia 9 de julho de 2024.

Segundo os autos, o aparelho celular de “Viltinho” foi submetido à análise da UNINTELPOL da Polícia Civil da Paraíba. Os dados extraídos revelaram mensagens, áudios e conversas que, conforme o Ministério Público, detalham o planejamento e a execução do homicídio de Victor.

As mensagens apontariam que Victor teria procurado “Viltinho” para comprar cocaína no dia do crime, situação que teria sido utilizada pelos acusados para colocar o plano em prática.

Conforme consta na denúncia, às 12h17, “Viltinho” enviou mensagem para Pablo Eric informando que a vítima havia chegado ao local em uma motocicleta POP. Minutos depois, após os disparos, os investigados passaram a conversar sobre fuga, ocultação da arma utilizada e exclusão das mensagens trocadas com a vítima.

Réu negou participação no crime

Durante interrogatório na fase de instrução processual, Pablo Eric Aquino da Silva afirmou que mantinha amizade com “Viltinho”, mas negou qualquer participação no homicídio de Victor Rodrigues Fernandes.

Segundo trecho do interrogatório presente no processo, “Escobar” declarou que “Viltinho” fazia favores pessoais para ele, incluindo entregas e outros serviços.

Ao ser questionado sobre participação no assassinato, o réu afirmou:

“Nunca tive vínculo com esse rapaz, não sabia nem que existia.”

Pablo Eric também declarou que apenas ouviu falar de “Aroldo” e “Mãozinha”, negando qualquer relação ou inimizade com ambos.

Já o réu Lucinelde Pereira do Nascimento limitou-se a negar participação nos fatos investigados.

Defesa contestou provas digitais

Em alegações finais, o Ministério Público pediu a pronúncia dos acusados para julgamento pelo Tribunal do Júri, sustentando haver provas suficientes de autoria e materialidade do crime.

A defesa, por sua vez, questionou a legalidade das provas digitais extraídas do celular de “Viltinho” e pediu a impronúncia dos acusados por ausência de provas de participação no homicídio.

Ao analisar o processo, o juiz José Normando Fernandes entendeu que existem indícios suficientes para submeter os réus ao julgamento popular.

Na decisão de pronúncia, o magistrado determinou que Pablo Eric Aquino da Silva e Lucinelde Pereira do Nascimento sejam julgados pelo crime previsto no artigo 121, §2º, incisos I e IV, do Código Penal, referente ao homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.

A defesa ainda apresentou embargos de declaração, posteriormente rejeitados pela Justiça, mantendo integralmente a decisão de pronúncia.

Após a renúncia ao prazo recursal por parte da defesa, o processo foi considerado apto para julgamento pelo Tribunal do Júri da Comarca de Sousa.

Escobar também é investigado por ataque contra malote do Sousa EC

Pablo Eric Aquino da Silva foi preso no dia 17 de julho de 2025 durante operação realizada por equipes da Delegacia de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACO) e do Grupo Tático Especial. ( https://www.debateparaiba.com.br/noticia/82012/individuo-de-alta-periculosidade-e-apontado-como-lider-do-trafico-e-preso-em-operacao-do-gre-e-draco-no-municipio-de-sousa)

Segundo a polícia, “Escobar” é considerado de alta periculosidade e apontado como suposto líder do tráfico de drogas na região de Sousa, além de possuir envolvimento investigado em homicídios, roubos e tentativas de latrocínio.

Além do processo relacionado ao assassinato de Victor Rodrigues Fernandes, ele também é investigado por suspeita de participação na tentativa de roubo dos malotes de dinheiro utilizados para o pagamento de funcionários e jogadores do Sousa Esporte Clube.

A ação criminosa ocorreu no dia 7 de julho de 2025 e terminou com um funcionário do clube baleado durante a tentativa de assalto.

Com o início do julgamento marcado para esta terça-feira, caberá agora ao conselho de sentença decidir se os acusados serão condenados ou absolvidos das acusações formuladas pelo Ministério Público da Paraíba.

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