Fogo de monturo vira incêndio político e candidatura de Delani pode ameaçar acordo que garantia Abel na presidência da Câmara de Sousa

Candidatura de Delani Gledson desafia acordo que garantia Abel Sales na presidência da Câmara Municipal de Sousa e expõe discordâncias dentro da base governista

Vereador Delani Gledson

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A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Sousa para o biênio 2027-2028 está longe de ser uma simples sucessão administrativa. A confirmação da candidatura do vereador Delani Gledson Alves (PSB) colocou novamente em xeque o acordo político firmado em janeiro de 2025 que garantia a presidência ao vereador Abel Sales (PSB) para o segundo Biênio(2027 a 2028). Nos bastidores, vereadores da situação e da oposição já admitem resistência ao nome de Abel e apontam Delani como uma alternativa capaz de manter o modelo de gestão implantado pela atual presidente Amanda Silveira.

Durante meses, o discurso oficial dentro da base governista foi de que existia um compromisso firmado e que Abel Sales seria o sucessor natural de Amanda Silveira no comando da Câmara. Mas a política não vive apenas dos discursos públicos. Muitas vezes, o que realmente importa é o que é dito nos corredores, nos gabinetes e longe dos microfones.

E foi justamente isso que veio à tona após a confirmação da candidatura de Delani Gledson.

Um vereador governista revelou ao blog que existe uma diferença entre o apoio declarado e a preferência real dos parlamentares.

“Na nossa base, publicamente a maioria dos vereadores dizem que votam em Abel, mas no coração a preferência é por Delani. Esperamos um consenso com os nossos anseios atendidos. Entendemos que Delani pode dar continuidade ao grande trabalho realizado por Amanda, onde os vereadores têm vez e voz na gestão.”

A declaração é forte porque desmonta a narrativa de unanimidade construída em torno de Abel Sales. Na prática, o que o vereador afirma é que muitos parlamentares estariam apenas mantendo uma posição pública por conveniência política, enquanto internamente enxergam Delani como a melhor opção.

Para esse parlamentar, o argumento utilizado não é eleitoral nem partidário. É administrativo. Os defensores de Delani acreditam que ele manteria um modelo de gestão que permitiu maior participação dos vereadores nas decisões da Casa, característica frequentemente atribuída à gestão de Amanda Silveira.

Mas as preferencias por Delani à Abel não se limitam à situação.

Um vereador de oposição também admitiu que existe rejeição ao atual favorito do acordo político.

“O nome de Abel apresenta rejeição entre os pares da Câmara Municipal.”

A fala chama atenção porque parte justamente de um parlamentar que não integra a base do governo. Mais do que isso, o oposicionista revelou que qualquer candidatura alternativa dentro da situação dependerá do cenário político estadual e do futuro do ex-prefeito Fábio Tyrone, nas eleições de 2026

Na avaliação dele u vereador de oposição é que Abel continua sendo visto como o principal representante político de Tyrone dentro do Legislativo. Caso o ex-prefeito consiga se eleger a deputado federal nas eleições de 2026, a tendência é o cumprimento do acordo e eleição de Abel. Porém, do contrário, ele prevê um novo cenário na disputa.

Sobre o assunto, sucessão na Cãmara de Sousa, o prefeito Helder Carvalho já veio ao público para recomendar que os vereadores da base respeitem o acordo político firmado anteriormente e avisou que qualquer iniciativa contrária ao entendimento construído em 2025, sem diálogo prévio com o grupo, poderá ser interpretada como um gesto de afastamento político do governo

A verdade é que a sucessão da Câmara deixou de ser apenas uma escolha interna dos vereadores. Ela se transformou em um termômetro do poder político em Sousa.

De um lado está Abel Sales, sustentado por um acordo firmado anteriormente com os vereadores da base e respaldado pelo prefeito Helder Carvalho e pelo ex-prefeito Fábio Tyrone. Do outro surge Delani Gledson, impulsionado por uma corrente silenciosa que parece crescer dentro do próprio grupo governista.

A fala dos vereadores revela algo ainda mais significativo: a disputa não é apenas por cargos, mas por influência, protagonismo e espaço político para os próximos anos.

O acordo que parecia definitivo hoje enfrenta sua maior prova de fogo. E quanto mais vereadores começam a falar, mais evidente fica que a eleição para a presidência da Câmara de Sousa está completamente aberta.

O fogo de monturo continua queimando. E, desta vez, as labaredas já podem ser vistas por toda a praça política de Sousa.

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