A decisão de Nabor Wanderley de renunciar ao comando da Prefeitura de Patos para disputar o Senado, anunciada em entrevista à TV Norte Paraíba, não é apenas um movimento administrativo — é uma declaração de fé política. “Não tem plano B”, cravou o gestor, numa frase que resume tanto sua ambição quanto seu cálculo eleitoral.
A política paraibana já viu muitos movimentos audaciosos, mas poucos tão calculados — e arriscados — quanto o passo dado por Nabor Wanderley. Ao confirmar sua renúncia no próximo sábado (4), o prefeito de Patos mostra ao estado que não pretende apenas participar da disputa ao Senado: pretende protagonizá-la.
Renunciar a um mandato em curso sempre cobra um preço. Mas Nabor tenta transformar esse custo em narrativa de coragem, determinação e missão partidária. “Não tem plano B”, repetiu como um mantra. É o tipo de frase que se escolhe com cuidado — feita para marcar posição, criar expectativa e, claro, pressionar aliados.
A estratégia de Nabor é clara: assumir a identidade de defensor dos municípios. Amparado por cerca de 150 prefeitos, ele tenta se vender como alguém que “sabe onde o sapato aperta”. O discurso de que seu gabinete será “uma extensão dos gabinetes dos prefeitos” é inteligente politicamente, mas levanta outro questionamento: será suficiente para torná-lo competitivo em uma disputa majoritária?
Há quem veja nisso força; há quem veja risco. Prefeitos ajudam, mas não fazem milagre — especialmente numa eleição estadual em que a pauta regionalizada nem sempre alcança o eleitorado urbano.
Outro movimento relevante foi abrir a porta para o diálogo com Cícero Lucena e Bruno Cunha Lima. Em um estado onde alianças são tão voláteis quanto necessárias, Nabor faz bem em não fechar janelas. Ao dizer que “a política não pode ser feita olhando para o retrovisor”, ele oferece ao eleitor a imagem de um candidato disposto a negociar, somar e — se necessário — reconstruir pontes.
Mas a grande pergunta segue no ar:
a Paraíba está disposta a apostar em um nome que abandona um mandato para buscar um novo cargo?
Nabor acha que sim. E sua renúncia mostra que ele está disposto a pagar para ver.
O jogo começou — e, para Nabor, só existe um caminho possível.