A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), anunciou que deu início a uma ampla reorganização da base aliada do governo Lula no Congresso Nacional, com corte de cargos indicados por parlamentares do Centrão. A medida, segundo ela, tem o aval direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e busca recompor a fidelidade do bloco governista após recentes derrotas no Legislativo.
A decisão foi tomada depois que a Medida Provisória (MP) que previa alternativas de arrecadação diante da alta do IOF perdeu a validade sem ser votada pela Câmara dos Deputados — um revés atribuído à resistência de partidos que integram a base, mas votaram contra o governo.
“Vamos reorganizar a base do governo e fazer as mudanças necessárias, com muita responsabilidade. Mas quem quiser estar no governo deverá ser voto do governo no Congresso”, afirmou Gleisi à coluna.
A ministra confirmou que Lula está ciente e de acordo com as mudanças, que atingirão diversos órgãos federais. “Vamos avaliar todos os órgãos, vamos fazer de forma responsável, cobrando posição de quem estiver na base do governo, que será reorganizada”, reforçou.
Fontes confirmam que as primeiras demissões já começaram. Na semana passada, lideranças do PP e do PSD perderam cargos na Caixa Econômica Federal e no Ministério da Agricultura, por determinação de Gleisi. Integrantes do MDB também foram afastados de funções no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
De acordo com a ministra, o corte de cargos atingirá os partidos PP (de Ciro Nogueira), PSD (de Gilberto Kassab), Republicanos (presidido por Hugo Motta, da Paraíba) e o próprio MDB.
“Vamos tirar cargos de todos que votaram contra o governo na MP”, declarou Gleisi.
O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), reforçou o tom firme da reestruturação. No sábado (11.out.2025), ele afirmou que Gleisi vai ‘meter a faca’ nos cargos do Centrão, especialmente nos vice-presidentes da Caixa Econômica Federal.
A medida é vista como uma resposta direta à insubordinação de parte da base aliada e ao desgaste provocado pelas recentes derrotas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no Congresso.
“Não dá para manter quem não apoia o governo nas votações”, resumiu um assessor do Planalto.
A ofensiva de Gleisi Hoffmann marca o início de uma nova fase na relação entre o Planalto e o Centrão, com o objetivo de consolidar uma base mais coesa e previsível para as próximas votações de interesse do governo no Congresso Nacional.