Enquanto as obras do Ramal do Apodi avançam a passos largos e já alcançam 72% de conclusão, o Ramal do Piancó segue como mais uma promessa vazia dos políticos paraibanos. O contraste entre os dois projetos evidencia não apenas a diferença de priorização do Governo Federal, mas também a falta de força política da Paraíba na defesa dos interesses hídricos do estado.
O Canal do Rio São Francisco ao Vale do Piancó foi incluído no novo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) como uma das prioridades do Ministério do Desenvolvimento Regional (MIDR). A promessa é que o projeto seja contratado ainda em 2025. No entanto, até agora, não houve avanço concreto. Nenhum edital, nenhuma movimentação significativa, apenas discursos vazios e esperança adiada para a população do Vale do Piancó.
O projeto prevê a captação de água do canal adutor do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), com percurso de 34,2 km até o deságue no Açude Condado. O objetivo é perenizar o Rio Piancó a montante dos açudes Coremas e Mãe D’Água, garantindo segurança hídrica para uma vasta região. Entretanto, as cifras investidas até agora são irrisórias: em 2024, a bancada paraibana comemorou a alocação de apenas R$ 4,4 milhões no Orçamento da União. O valor está muito aquém do necessário para tirar o projeto do papel que foi orçado em 2020 em R$ 215,24 milhões
Por outro lado, o Ramal do Apodi segue a todo vapor. Com investimentos que já ultrapassam R$ 1 bilhão, provenientes do Novo PAC, a obra caminha para entrar em operação em 2026. O primeiro trecho foi entregue em novembro de 2023, e as obras mobilizam mais de 1.400 trabalhadores e 800 equipamentos.
A grandiosidade do projeto do Apodi impressiona: são 115,5 km de extensão, contra apenas 34,2 km do Ramal do Piancó. O percurso inclui um complexo sistema de canais, aquedutos e um túnel de 6 km que atravessa a divisa entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte. O túnel Major Sales, por exemplo, já está 77% concluído.
A diferença no andamento das obras escancara a ineficiência política da Paraíba. Enquanto o Rio Grande do Norte garante recursos vultosos e avanços concretos, a Paraíba se contenta com promessas que se repetem a cada nova gestão. A fragilidade da bancada paraibana em articular recursos para o estado é evidente, e a população do paraibana segue penalizada pela morosidade e ineficiência de seus representantes.
O Ramal do Piancó é uma necessidade hídrica urgente, e não há mais espaço para discursos vazios. A classe política paraibana precisa sair da inércia e cobrar, de fato, os recursos necessários para viabilizar a obra. Caso contrário, a história se repetirá: promessas eleitoreiras, adiamentos sucessivos e uma população que continua sofrendo com a escassez de água.