O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou seu discurso na Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (23), para reforçar a defesa da democracia brasileira e criticar medidas impostas pelos Estados Unidos à economia e a autoridades do país.
Ao mencionar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por participação em uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, Lula transformou um episódio doméstico em alerta global.
“Pela primeira vez em 525 anos de nossa história, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito. Foi investigado, indiciado, julgado e responsabilizado pelos seus atos em um processo minucioso. Teve amplo direito de defesa, prerrogativa que as ditaduras negam às suas vítimas. Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos autocratas e àqueles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”, declarou o presidente, sendo aplaudido no plenário.
Lula também criticou as “sanções arbitrárias e intervenções unilaterais”, que, segundo ele, ferem a soberania de países em desenvolvimento. O tom foi entendido como um recado direto a Washington, que já aplicou restrições contra empresas e figuras políticas brasileiras.
O petista ainda afirmou que a “agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável” e acusou a extrema direita de agir de forma “subserviente e saudosa de antigas hegemonias”.
O discurso, firme e de enfrentamento, buscou projetar ao mundo a imagem de um Brasil democrático e soberano. Mas também serviu como recado interno: diante das tentativas recentes de desacreditar instituições, Lula reforçou que não haverá tolerância com novos ensaios golpistas.