Saída de Dalton da Fundação Pedro Américo expõe disputa e choque de interesses dentro do Grupo Gadelha

Movimentos de Dalton e André Gadelha ampliam tensões familiares, revelam divergências estratégicas e colocam o grupo sousense no centro da sucessão paraibana de 2026.

Dalton Gadelha x André Gadelha

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A política paraibana já viveu embates intensos, rearranjos inesperados e disputas históricas que moldaram o cenário estadual. Mas poucas vezes um conflito familiar ganhou proporções tão explícitas quanto o que atravessa hoje o tradicional Clã Gadelha, de Sousa. O que antes era dito apenas nos bastidores — e negado em público — agora está escancarado: existe um racha, e ele tem protagonistas, motivações e efeitos diretos na eleição de 2026.

A saída do empresário sousense Dalton Gadelha da Presidência da Fundação Pedro Américo — que administra o Hospital HELP e a Unifacisa — foi mais que uma mudança administrativa. Foi um movimento político calculado. A partir desse gesto, Dalton abre espaço para atuar de forma mais direta na disputa eleitoral e surge como nome competitivo para compor a chapa do governador João Azevêdo como suplente ao Senado.

Esse passo, porém, colide frontalmente com o projeto do primo e deputado estadual André Gadelha (MDB), já lançado como pré-candidato ao Senado pela chapa oposicionista liderada por Cícero Lucena. O conflito, que sempre existiu, agora se materializa em falas duras e em lados opostos no tabuleiro.

A declaração de Dalton, no mês passado, classificando a candidatura de André como “avulsa”, e afirmando que não possui “nenhum compromisso” com o primo, detonou uma crise visível. O comentário repercutiu como explosão no meio político sousense e gerou desconforto até entre aliados históricos da família.

Sentindo-se alvejado, André reagiu. O deputado enfatiza que mantém apoio de figuras importantes da família — entre eles Leonardo, Renato, Marcondes e o empresário Buega Gadelha — tentando mostrar que continua com musculatura interna. Mas a fissura é inegável. As declarações apenas tornaram público o que muitos já sabiam: existem dois projetos em rota de colisão dentro do mesmo sobrenome.

De um lado, Dalton simboliza o pragmatismo empresarial, a aproximação com o governo estadual e a leitura de que participar da chapa de João Azevêdo é um movimento estratégico de longo prazo.
De outro, André representa o tradicionalismo político, a defesa da hegemonia histórica da família na política sousense e o vínculo com o campo oposicionista.

Quando acusa o primo de agir com “olhar comercial”, André não faz apenas uma crítica. Ele sugere que Dalton estaria orientando sua movimentação política por interesses empresariais, e não ideológicos. É uma linha de ataque que evidencia o grau de desgaste entre os dois.

E a turbulência já chega à base. O vereador Ananias Vieira (MDB) escancarou a crise ao declarar apoio simultâneo a João Azevêdo (Senado), Lucas Ribeiro (Governo) — alinhando-se ao movimento de Dalton — e, ao mesmo tempo, reafirmar voto em André ao Senado. A ressalva de que poderá seguir Dalton caso ele confirme a suplência revela um ambiente instável, onde cada passo pode significar reposicionamentos imediatos.

Se Dalton aceitar oficialmente ser suplente de João, o gesto terá efeito maior do que uma simples composição eleitoral. Significará a materialização do rompimento político dentro da família, além da consolidação de um novo eixo de poder no estado.

O que antes era disputa silenciosa agora é barulho político. E deve se tornar um dos capítulos mais marcantes da sucessão paraibana de 2026. No fundo, não é apenas uma briga por vaga no Senado. É a disputa por quem, dentro do próprio Clã Gadelha, terá autoridade para conduzir os rumos da política de Sousa e da Paraíba nos próximos anos.

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