Na última terça-feira (30), a Câmara Municipal de Orocó, no Sertão de Pernambuco, conseguiu a proeza de transformar o que deveria ser um espaço de debate público em espetáculo digno de meme. O protagonista foi o vereador Ricardo Amando (MDB), que em meio à sessão simplesmente não conteve o “gás legislativo” e soltou um sonoro pum, transmitido ao vivo para todo o mundo.
A cena foi imediata: Lucas Leal (PT), que discursava na tribuna, perdeu a linha, riu às gargalhadas e precisou justificar o episódio à população, como se fosse comentarista esportivo explicando lance duvidoso. Já o vereador Tatinha, que fazia um aparte, viu o plenário se transformar em plateia de stand-up, com colegas se espalhando para fugir do suposto mau cheiro.
É claro que todos têm corpo humano e acidentes acontecem. Mas quando a política local vira manchete não por uma lei aprovada, não por um projeto que melhore a vida do povo, mas porque um parlamentar soltou um peido, temos o retrato perfeito da seriedade com que muitas Câmaras Municipais tratam seu trabalho.
O riso é natural, mas o vexame é coletivo. A cena mostra o quanto boa parte da classe política se acostumou a transformar o plenário em palco de palhaçada. O povo espera discussão sobre saúde, educação, estradas; recebe um show de flatulência e gargalhadas.
No fim, o que ficou foi a “sessão do pum”, registrada em vídeo e já viralizada nas redes sociais. Um símbolo tragicômico de como a política brasileira muitas vezes é levada no sopro — e não é o sopro da mudança, é o sopro do descaso.