Justiça revoga prisão de filhas acusadas de maus-tratos contra idosa com Alzheimer em Sousa

Após mais de um mês presas em Cajazeiras, investigadas passam a cumprir medidas cautelares; decisão aponta ausência de risco atual à vítima

Compartilhe:

O Juízo da 2ª Vara Mista de Sousa revogou a prisão preventiva de Fabiana Pereira da Costa e Rosileide de Araújo Costa, investigadas por supostos maus-tratos contra a própria mãe, Josefa Maria da Costa, de 79 anos, diagnosticada com Alzheimer. A decisão foi fundamentada na ausência de risco atual à vítima e na possibilidade de aplicação de medidas cautelares alternativas.

As investigadas estavam presas desde o dia 10 de março de 2026, quando foram autuadas em flagrante após a equipe médica do Hospital Regional de Sousa identificar diversas lesões no corpo da idosa, incluindo fratura em um dos dedos e ferimentos por pressão. À época, a prisão preventiva foi decretada durante audiência de custódia com base na gravidade do quadro clínico e na necessidade de proteger a integridade física e psicológica da vítima.

No entanto, a defesa representada pelos advogados Dr ozael da Costa Fernandes, Dr. Evilásio Leite de Oliveira segundo e pela advogada Dra Edna Abrantes Fernandes apresentou um conjunto robusto de documentos médicos e registros de acompanhamento contínuo da idosa por profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e assistentes sociais, ao longo dos últimos anos. Segundo os advogados, as lesões seriam compatíveis com o estado de saúde da paciente, que é acamada, possui histórico de AVC e apresenta quadro de extrema fragilidade.

Apesar de o Ministério Público ter se manifestado contrário à soltura, alegando a gravidade das lesões e a vulnerabilidade da vítima, o juiz Bernardo Antonio da Silva Lacerda entendeu que houve mudança no cenário fático desde a decretação da prisão. Um dos principais pontos considerados foi o fato de a idosa estar atualmente sob cuidados institucionais, em uma unidade de acolhimento, sem contato com as investigadas.

Na decisão, o magistrado Dr. Bernardo Antonio da Silva Lacerda destacou que a prisão preventiva deve ser aplicada apenas em situações excepcionais e que, no caso, não há elementos que indiquem risco concreto atual, tentativa de interferência nas investigações ou ameaça à vítima.

Com a revogação da prisão, Fabiana e Rosileide foram colocadas em liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares, entre elas: proibição de se aproximar da mãe a menos de 200 metros, impedimento de qualquer tipo de contato com a vítima e com profissionais de saúde responsáveis por ela, além da obrigação de comparecimento mensal à Justiça e restrição para deixar a comarca sem autorização.

O juiz também determinou a expedição imediata do alvará de soltura, condicionando a liberdade ao cumprimento rigoroso das medidas impostas. Em caso de descumprimento, as investigadas poderão ter a prisão preventiva novamente decretada.

O caso segue em investigação para apurar se houve negligência, imperícia ou agressão intencional contra a idosa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas notícias

alan de bastos bolsonarista

Bolsonarista Alan de Bastos, pré-candidato a deputado estadual, recebe salário da Prefeitura de João Pessoa morando em Sousa

predio da prefeitura de Sousa

Prefeitura de Sousa prorroga prazo para pagamento do ISSQN após problemas no sistema

Daniel Pinto

Ministro André Mendonça nega recurso do PL e mantém mandato de vereador do PT em Sousa

Leonardo Gaelha

VÍDEO: Leonardo Gadelha anuncia nomes que devem disputar vaga na Câmara Federal pelo Podemos nas eleições de 2026