A morte da paciente Eliana Pereira de Melo, de 31 anos, no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Tozinho Gadelha, em Sousa, no Sertão da Paraíba, está sendo investigada pela Polícia Civil. A família da vítima denuncia possível negligência no atendimento, enquanto o laudo do Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol) de Cajazeiras apontou asfixia indireta como a causa do óbito.
Além disso, novas denúncias surgiram após o falecimento da paciente, incluindo a suspeita de que ela tenha sido estuprada em 2017 por um prestador de serviço do CAPS, que ainda trabalharia na unidade. Esse fato gerou revolta entre familiares e amigos da vítima, que agora cobram uma investigação aprofundada sobre os abusos e as circunstâncias da morte.
Diante da gravidade do caso, a Comissão de Processo Administrativo Disciplinar (CPAD) da Prefeitura Municipal de Sousa determinou o afastamento preventivo de cinco servidores do CAPS por 60 dias, podendo ser prorrogado pelo mesmo período. A decisão foi publicada na Portaria nº 001/2025/CPAD-PMS, assinada pelo presidente da comissão, Francinaldo Floriano de Lira e publicada na ultima terça-feira(01) na Gazeta de Sousa
Os servidores afastados, que tiveram apenas as inicias do nomes e matriculas divulgadas são:
- I.R.S. (matrícula funcional nº 9304357)
- T.P.M. (matrícula funcional nº 9303926)
- A.M.M.F. (matrícula funcional nº 127236)
- T.R.C. (matrícula funcional nº 9304312)
- E.B.S. (matrícula funcional nº 9303882)
A medida tem o objetivo de evitar qualquer interferência nas investigações. O afastamento ocorre sem prejuízo da remuneração, e os servidores deverão permanecer à disposição da Comissão do Processo Administrativo Disciplinar.
Circunstâncias da Morte de Eliana Pereira e a denúncia de estupro revolta a família
A paciente faleceu na madrugada da última terça-feira (25 de março de 2025). De acordo com o laudo do Numol, Eliana foi encontrada amarrada ao leito, com contenções nos punhos e braços, enquanto as das pernas estavam soltas. A posição em que seu corpo foi encontrado teria dificultado sua respiração, levando ao sufocamento.
O diretor do Numol, médico Luis Rustenes Fernandes, explicou que a causa do óbito foi asfixia por sufocação indireta. Segundo ele, essa asfixia ocorre quando há um obstáculo que impede a expansão do tórax, como acontece em soterramentos ou na chamada posição de crucificação.
Diante da denúncia da família e do laudo pericial, a Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar se houve falha nos protocolos de atendimento ou negligência por parte da equipe do CAPS. Os laudos técnicos do Numol serão fundamentais para esclarecer as circunstâncias do caso.
Além das suspeitas de negligência na morte de Eliana, familiares revelaram uma nova denúncia alarmante: a jovem teria sido estuprada em 2017 por um prestador de serviço do CAPS. O mais grave é que o suspeito ainda estaria trabalhando na unidade, o que tem causado revolta na comunidade.
Os parentes da vítima exigem que as autoridades investiguem a denúncia de abuso sexual e pedem que todas as diligências necessárias sejam realizadas para que os responsáveis sejam punidos.
Prefeitura e Comunidade Exigem Justiça
A morte de Eliana e as novas denúncias de abuso sexual geraram forte comoção na cidade de Sousa. Ainda na data em que a paciente foi encontrada morta, o prefeito Helder Carvalho publicou uma nota se solidarizando com a família da vítima e informando sobre a abertura do procedimento disciplinar interno para apurar os fatos.
A gestão municipal também garantiu que está colaborando com as investigações e que tomará todas as providências necessárias para garantir justiça à vítima e seus familiares.
A comunidade de Sousa acompanha o caso de perto e espera que as autoridades concluam as investigações com transparência e rigor, punindo eventuais responsáveis e garantindo mais segurança no atendimento prestado pelo CAPS.